quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Desejos para colorir

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Eva Armisén, Desejos, 2000. Óleo s/ papel, 9 x 20cm (cada).
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

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A quem sabe esperar, o tempo abre as portas.
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(Provérbio Chinês)
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cativeiro

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Emília Nadal, Sem título, 1975. Serigrafia, 56 x 48cm.
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E os captivos suspiram. Bandos de aves
Passam velozes, passam apressados,
Como absortos em intimos cuidados,
Como absortos em pensamentos graves.
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E dizem os captivos: Na amplidão
Jamais se extingue a eterna claridade...
A ave tem o vôo e a liberdade...
O homem tem os muros da prisão!
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Aonde ides? qual é vossa jornada?
Á luz? á aurora? á immensidade? aonde?
— Porém o bando passa e mal responde:
Á noite, á escuridão, ao abysmo, ao nada! —
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E os captivos suspiram. Surge o vento,
Surge e perpassa esquivo e inquieto,
Como quem traz algum pezar secreto,
Como quem soffre e cala algum tormento.
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Antero de Quental, "Os Captivos", in Sonetos.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Intermezzo

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La vida sin música sería un error.
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Friedrich Nietzsche
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domingo, 27 de dezembro de 2009

Prossegue a música

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Jean-Jacques Sempé, Ensemble instrumental, 1993.
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Prossegue a música, e eis na minha infância
De repente entre mim e o maestro, muro branco,
Vai e vem a bola, ora um cão verde,
Ora um cavalo azul com um jockey amarelo...
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Atiro-a de encontra à minha infância e ela
Atravessa o teatro todo que está aos meus pés
A brincar com um jockey amarelo e um cão verde
E um cavalo azul que aparece por cima do muro
Do meu quintal... E a música atira com bolas
À minha infância... E o muro do quintal é feito de gestos
De batuta e rotações confusas de cães verdes
E cavalos azuis e jockeys amarelos ...
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Todo o teatro é um muro branco de música
Por onde um cão verde corre atrás de minha saudade
Da minha infância, cavalo azul com um jockey amarelo...
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Fernando Pessoa, "O Maestro Sacode a Batuta", in Cancioneiro.
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sábado, 26 de dezembro de 2009

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Las aventuras del niño Jesús

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Este es un libro sobre un niño muy especial: el niño Jesús. Alberto Manguel recopila textos sobre la infancia de Jesús, que van de lo ortodoxo – el evangelio de Judas - a lo heterodoxo – los evangelios apócrifos y gnósticos, las fuentes islámicas, pasando por las recreaciones de anónimos del siglo XV, canciones populares inglesas o aproximaciones a las andanzas del Cristo infante. Y saltando de unos textos a otros, a través de los siglos y en visiones complementarias, asistimos al nacimiento del niño Jesús en Belén, a la huida con su familia a Egipto, a su diálogo con los doctores en el templo y a sus primeros milagros, pero también a su encuentro ya en la infancia con Judas y con los dos ladrones que lo acompañarán en su agonía, a cómo da vida a pájaros de arcilla que ha modelado con sus manos, cambia el color de las telas, sana con el agua en la que se baña o con el simple roce de sus pañales...
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Alberto Manguel (2009). Las aventuras del niño Jesús. Barcelona: RBA Libros.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal, e não Dezembro

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Entremos, apressados, friorentos,
Numa gruta, no bojo de um navio,
Num presépio, num prédio, num presídio,
No prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
Porque esta noite chama-se Dezembro,
Porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
Talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.
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David Mourão-Ferreira, "Natal, e não Dezembro", in Cancioneiro do Natal.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

You´re too young

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Kelly Forsberg, Said, 1997.
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[...]

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Coisas lindas que nunca existirão

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David Tobey, Reaching for the cure, 2007. Acrylic 36" x 49".
Collection of the American Cancer Society.
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O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
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São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
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Fernando Pessoa, "O que me dói não é", in Cancioneiro.
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domingo, 20 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

A chave das palavras

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Melissa Ling - Illustration, 2009.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Desde a aurora

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David Tobey, Dark Garden, 2007. Acrylic, 48" x 36".
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Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão
...
Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro.
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Eugénio de Andrade, "Desde a aurora", in Obscuro Domínio.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Murmura esta canção

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Paula Rêgo, La fête, 2003. Pastel s/ papel, 170 x 120 cm.
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quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
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Vasco Graça Moura, "Soneto do amor e da morte", in Antologia dos Sessenta Anos.
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Mutilación genital

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Una historia de ablación de toda niña que vive en una comunidad en la que ser querida, casarse y disfrutar de alta estima implica estar genitalmente mutilada.
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Kim Manresa (1998). El dia que Kadi perdio parte de su vida. Barcelona: Blume.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

¿por qué se suicidó?

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Tras el inesperado suicido de su novio, perfumista en Tokio, la joven periodista Ryoko cobra conciencia de lo poco que sabía de él. ¿Quién era Hiroyuki, el joven con el que vivía desde hacía un año? Pero, sobre todo, ¿por qué se suicidó al día siguiente de celebrar apasionadamente su primer año de vida en común? Para entenderlo, la periodista Ryoko decide realizar una investigación - gracias a los datos de la gente que conoció a su novio -, que se convertirá en un viaje al pasado de Hiroyuki, y que la llevará a Praga y a un misterio insondable relacionado tanto con el mundo de los olores como con el de las matemáticas. A través de múltiples hipótesis y búsquedas en los recuerdos propios y ajenos, Ryoko va explorando en la personalidad de Hiroyuki: una existencia llena de misterios, una realidad biográfica que era pura ilusión y una amenaza cuyo peligro sólo pudo entenderse demasiado tarde.
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Yoko Ogawa (2009). Perfume de hielo. Madrid: Funambulista.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Releer libros

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Cada libro conserva en su interior las huellas del lector que uno fue en otros tiempos, y releer libros es como viajar en la máquina del tiempo, se encuentran notas, firmas, flores prensadas...
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Jesus Marchamalo (2008). Tocar los libros. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Cientificas.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lugares que hay que visitar

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Desde el imponente glaciar Perito Moreno hasta las famosas cataratas del Niágara, desde la ciudad perdida de Machu Pichu hasta la selva virgen del Amazonas...
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Michael Bright (2009). 1001 Lugares que hay que visitar antes de morir. Barcelona: Grijalbo.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sítio exacto

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Paul Klee, O Peixe Dourado, 1925. Óleo e aguarela s/papel, 49,6 X 69,2cm.
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Sei que não acaba
o teu prazer,
nem o meu.
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Alguém
ama connosco
e nos leva
ao sítio exacto
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António Osório, "Sítio Exacto", in O Lugar do Amor.
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Espelho

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David Doubitet, "Jewel anemones", from Water Light Time, 1986. New Zealand. Photography.
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Homem livre, o oceano é um espelho fulgente
Que tu sempre hás-de amar.
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Charles Baudelaire, "O homem e o mar", in As Flores do Mal.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

El fin del mundo

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Dos historias paralelas se desarrollan en escenarios de nombre evocador: una, en una misteriosa ciudad amurallada, el fin del mundo; la otra, en un Tokio de un futuro quizá no muy lejano, un cruel país de las maravillas. En la primera, el narrador, anónimo, se ve privado de su sombra, de sus recuerdos, y compelido a leer sueños entre unos habitantes de extrañas carencias anímicas y unicornios cuyo pelaje se torna dorado en invierno. En la segunda, el narrador, cuyo nombre también se desconoce, es un informático de gustos refinados que trabaja en una turbia institución paragubernamental enfrentada a otra en una guerra por el control de la información.
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Haruki Murakami (2009). El fin del mundo y un despiadado pais de las maravillas. Barcelona: Tusquets Editores.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

Mulher

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Doranne Jacobson , Woman carrying sacred water and flowers.
Photography. Textile (detail). India: Gurajat.
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Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar
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É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo
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Sei que não posso chamá-la das margens
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Daniel Faria, "Há uma mulher a morrer sentada", in Dos Líquidos.
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sábado, 5 de dezembro de 2009

Mergulho

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Paula Rêgo, Possessão III, 2004. Pastel s/papel, 150 x 100cm.
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mergulho no sonho
as árvores são as minhas raízes
o vento, o mar, o Sol
na sombra com eles brinco
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não me importo com o mundo
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Rabisco meus poemas

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Eurico Gonçalves, Pintura, 1971.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian - Centro de Arte Moderna.
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rabisco meus poemas
com raios do Sol
aconchego-os junto às estrelas
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que luz intensa a tua
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ao anoitecer

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viajantes solitários
marinheiros desaparecidos
mulheres misteriosas
crianças sinistras
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contos de fantasmas
para ler ao anoitecer
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Falso abandono

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estaré donde menos
lo esperes
por ejemplo
en un árbol añoso
de oscuros cabeceos
estaré en un lejano
horizonte sin horas
en la huella del tacto
en tu sombra y mi sombra
estaré repartido
en cuatro o cinco pibes
de esos que vos mirás
y enseguida te siguen
y ojalá pueda estar
de tu sueño en la red
esperando tus ojos
y mirándote.
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Mario Benedetti, Chau número tres.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um dia contigo

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Paula Rêgo, Looking Out, 1997. Pastel on papper, 71" x 51".
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nesta solidão
calma, calma, calma
como a eternidade
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um dia contigo é pouco
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

La novela más leída en China

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Faltan palabras es una saga generacional femenina que habla de la capacidad de la mujer para sobrevivir a privaciones de toda índole, adaptarse a situaciones particulares o protagonizar el cambio hacia el pensamiento moderno, en un recorrido que nos permite conocer la evolución social de China durante todo el siglo XX.
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Zhang Jie (2009). Faltan palabras. Barcelona: Miscelanea Editorial.
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sábado, 28 de novembro de 2009

Terrible person

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Rose-Marie Klintman, Soul mirror, 2003. Acrylic 30 x 40cm.
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I´m a terrible person...
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nadar a la deriva

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Sobre tu piel
naufragan restos mortales
de antiguos dolores.
El mérito de este pirata
recaerá en la habilidad
de reciclar los viejos trastos
para navegarte con incierta elegancia,
o bien,
en empeñar las últimas balas
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derrivando los arcaicos vestigios
y, una vez, sin horizontes
nadar a la deriva
tu mar abierto.
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Gito Minore, "Mar abierto", in Flores Cohibidas.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Espécie de loucura

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David Tobey, Desert of Madness, 2007. Acrylic 40" x 40".
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Esta espécie de loucura
Que é pouco chamar talento
E que brilha em mim, na escura
Confusão do pensamento,
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Não me traz felicidade;
Porque, enfim, sempre haverá
Sol ou sombra na cidade.
Mas em mim não sei o que há
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Fernando Pessoa, "Esta Espécie de Loucura", in Cancioneiro.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Coisas antagónicas

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Oliveira Tavares, Sem título. Serigrafia 50 x 70cm.
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Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
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Álvaro de Campos, "Mas eu", in Poemas.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Paisagem

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Pedro Sarmento, Aquecimento Global, 2007. Óleo s/ tela, 90 x 90cm.
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Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.
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Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te contemplar.
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Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno dessa praia.
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E desejei: «Que nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!»
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Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.
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(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)
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David Mourão-Ferreira, "Paisagem", in A Secreta Viagem.
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domingo, 22 de novembro de 2009

Loucuras, pecados e glórias

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José de Guimarães, Sem título. Serigrafia, 73 x 54cm.
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De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
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Cecília Meireles, "De Que São Feitos os Dias?", in Canções.
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sábado, 21 de novembro de 2009

A noite é tão curta

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O despertador desperta,
acorda com sono e medo;
por que a noite é tão curta
e fica tarde tão cedo?
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Millôr Fernandes, "Poeminha sobre o Tempo", in Pif-Paf.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Silêncio

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porque existes
no intervalo
de duas notas
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Procura o tesouro

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«[...] Epicuro disse que, se quisermos vencer, devemos gravar no nosso espírito o alvo que temos na nossa mente. Einstein disse que há uma força maior que a energia atómica: a vontade! Confúcio co­mentou: para vencer na vida, exija muito de si e pouco dos outros! Pascal bradou: para quem deseja ver, haverá sempre luz suficiente; para quem rejeita ver, haverá sempre obscuri­dade! Sófocles disse: procura e encontrarás, pois o que não é procurado permanece para sempre perdido. Lucas, não te­nhas medo da luz! Procura o tesouro que está dentro de ti!»
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Augusto Cury (2008). A Saga de um Pensador. A paixão pela vida. Lisboa: Bertrand Ed., p. 77.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quando desenho

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Manuel Cargaleiro, Sem título. Óleo s/ madeira, 24 x 20cm.
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Quando desenho procuro o traço mais limpo. Na escrita busco a frase mais curta.
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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tricotando o tempo

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puxo conversa com a luz
o sol mente
o vento descasca nêsperas
a ave é um chapéu perdido
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as esquinas são portas sem batente
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

May angels lead you into paradise

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para quem
a vida
não chegou
a ser
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domingo, 15 de novembro de 2009

Placer en el trabajo

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Intenta proponerle la postura del elefante a tu jefe. O mejor, adopta la postura de la cucaracha decapitada y verás cómo tu posición en la empresa crece exponencialmente. Y es que el Kamasutra es mucho más que un manual de las artes amatorias. De él se pueden extraer las indicaciones y consejos necesarios para progresar en la empresa. O al menos para divertirte intentándolo. La Biblia, Sun Tzu, deportes, películas... De cualquier lugar extrae la literatura empresarial enseñanzas. Este libro aporta con humor e ironía un compendio de técnicas infalibles para salir airoso de marrones, crisis y responsabilidades de cualquier índole.
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Rafael Galan (2009). Kamasutra en la empresa: 69 posturas que te daran placer en el trabajo. Barcelona: Ediciones Gestion.
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sábado, 14 de novembro de 2009

Conocer a los contemporáneos

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Podemos conocer a los antiguos, podemos conocer a los clásicos, podemos conocer a los escritores del siglo xix y a los del principio del nuestro, que ya declina. Harto más arduo es conocer a los contemporáneos. Son demasiados y el tiempo no ha revelado aún su antología. Hay, sin embargo, nombres que las generaciones venideras no se resignarán a olvidar.
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Dino Buzzati (2005). Desierto de los tartaros. Barcelona: Gadir.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Free me to fly away

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Carry me away from the dark I fear
when the storm is near
from the endless night
from my blinded sight
to a sky of light
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Free me to fly away
Free me
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Carry me away from the things that harm
on a sea of calm
from the endless night
from my blinded sight
to a sky of light
Free me to fly away
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Free me to fly away
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SALVA ME by Libera. Libera CD, Track 01 (1999)
Soloists: Adam Harris and Liam O’Kane
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Barulho de água

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Bashô Matsuo (1644–1694)*
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[O velho tanque -
Uma rã mergulha,
barulho de água.]
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.....(*) Considerado o primeiro e maior poeta japonês de haiku, imprime-lhe o espírito do budismo zen. É uma forma de poesia breve, depurada, simples e fluente. Trata-se de uma reacção estética minimalista à crescente consciência humana do caos.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Céu azul

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Kandinsky, Sky blue, 1940. Oil on canvas, 100 x 73cm.
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...«Falcão levantou-se e, como se nada tivesse acontecido, começou a caminhar. Abraçou uma árvore. Beijou-a. Agachou-se diante de uma flor, parecia querer penetrar nas suas entranhas. Dizia algumas palavras inaudíveis, como se esti­vesse a fazer uma oração ou a elogiar a flor.
...Marco Polo, teimoso e com a voz embargada, arriscou dizer algo para manter o vínculo:
...— Até amanhã!
...Falcão levantou-se e comentou:
...— O tempo não existe, rapaz. Amanhã, a chama da vida pode ter-se apagado!
...Em seguida, foi-se embora sem se despedir. Enquanto andava, abria os braços e fazia um movimento de dança. Com uma voz vibrante, olhava para a paisagem enquanto cantava What a Wonderful World, de Louis Armstrong, com algumas modificações na letra:
...Eu vejo o verde das árvores, rosas vermelhas também,
...Eu vejo-as florescerem para a humanidade
...E eu penso... que mundo maravilhoso.
...Eu vejo o azul dos céus e o branco das nuvens.
...O brilho do dia abençoado, a sagrada noite escura.
...E eu penso... que mundo maravilhoso.
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...O mundo intelectual de Marco Polo não estava maravi­lhoso, pois passara por um vendaval. Profundamente intriga­do, ele disse para si mesmo: Que homem é este que se esconde na pele de um miserável? Que mendigo é este que parece ter muito, mas possui tão pouco
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Augusto Cury (2008). A Saga de um Pensador. A paixão pela vida. Lisboa: Bertrand Ed., pp. 25-26.
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A nossa árvore

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Judíth Shaw, Olive tree, 2006. Oil on canvas, 30" x 40".
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no regresso a casa
vejo o teu sorriso
na vida misteriosa
da nossa árvore
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Misterio de vivir

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En la habitación de un hospital, y en el curso de la que muy probablemente sea su última noche en este mundo, un hombre le cuenta a alguien - quizás a una enfermera -, y también a sí mismo, la historia de su vida; intentando buscar algún sentido al viejo misterio de vivir.
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Luis Landero (2009). Retrato de un hombre inmaduro. Barcelona: TUSQUETS EDITORES.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

MAC

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RE-visitada
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A alma é verde

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Autor desconhecido.
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Qualquer tempo é tempo.
A hora mesma da morte
é hora de nascer.
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Tempo, contratempo
anulam-se, mas o sonho
resta, de viver.
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Carlos Drummond de Andrade, "Qualquer Tempo", in A Falta que Ama.
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domingo, 1 de novembro de 2009

Todos os lumes e luzes

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Autor desconhecido.
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Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!
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Álvaro de Campos, "A Melhor Maneira de Viajar é Sentir", in Poemas.
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sábado, 31 de outubro de 2009

Transcende-te!

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Fly me to the moon,
and let me play among the stars.
...
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Nat King Cole, Fly me to the moon.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sozinho

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É estupidez pedir aos deuses
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aquilo que se pode conseguir sozinho.
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Epicuro, Exortações.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tempestade

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Tunisia: Sahara desert - sandstorm, 2005. Photography.
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desapareceram
as letras
que escrevi
para ti
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

No Way To Say Goodbye

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You know my love goes with you as your love stays with me
It's just the way it changes like the shoreline and the sea
...
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Leonard Cohen, No Way To Say Goodbye.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Je suis sûr que la vie est là

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Je suis le fantôme jersey
Celui qui vient les soirs de frime
Te lancer la brume en baiser
Et te ramasser dans ses rimes
Comme le trémail de juillet
Où luisait le loup solitaire
Celui que je voyais briller
...
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Iludir a vida

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Marc Chagall, La Branche, 24" x 32".
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domingo, 25 de outubro de 2009

A vida, a vida, a vida

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Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projecto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
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Não te encontro, não te alcanço...
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Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
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Cecília Meireles, Reinvenção.
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sábado, 24 de outubro de 2009

Génese

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E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como
as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
...
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e
[sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
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Vinícius de Moraes, Porque hoje é sábado.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mísero adão

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[...] e quanto à tua pessoa, adão, a terra ficou amaldiçoada por tua causa, e será com grande sacrifício que dela conseguirás tirar alimento durante toda a tua vida, só produzirá espinhos e cardos, e tu terás de comer a erva que cresce no campo, só à custa de muitas bagas de suor conseguirás arranjar o necessário para comer, até que um dia te venhas a transformar de novo em terra, pois dela foste formado, na verdade, mísero adão, tu és pó e ao pó um dia tornarás.
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José Saramago (2009). Caim. Lisboa: Caminho, p. 22.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pobre eva

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[…] Fui à árvore, comi do fruto e levei-o a adão, que comeu também, Ficou-me aqui, disse adão, tocando na garganta, Muito bem, disse o senhor, já que assim o quiseram, assim o vão ter, a partir de agora acabou-se-lhes a boa vida, tu, eva, não só sofrerás todos os incómodos da gravi­dez, incluindo os enjoos, como parirás com dores, e não obstante sentirás atracção pelo teu homem, e ele mandará em ti, [...]
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José Saramago (2009). Caim. Lisboa: Caminho, p.22.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

El talento

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Recientemente científicos e investigadores han desvelado que la capacidad para potenciar nuestras habilidades reside en la mielina, una sustancia que rodea el núcleo de las neuronas. El talento no es, por tanto, un don misterioso que responde a las leyes del azar o la genética: puede desarrollarse.
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Dan Coyle (2009). Las claves del talento. Barcelona: Planeta.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Por aí

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m e d i t a n d o
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Porque me amas

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se eu chorar
perdoa
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porque me amas
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domingo, 18 de outubro de 2009

Este céu

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Abraça-me bem
e cobre o meu corpo
enfim
nesse agasalho
são os teus braços
sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
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Fausto Bordalo Dias, "Todo este céu", in 18 Canções de Amor e Mais Uma de Ressentido Protesto.
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sábado, 17 de outubro de 2009

Zen Garden

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Shining star

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I want to live forever...
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... becoming a shining star.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vem comigo

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Vens a mim
pequeno como um deus,
frágil como a terra,
morto como o amor,
falso como a luz,
e eu recebo-te
para a invenção da minha grandeza,
para rodeio da minha esperança
e pálpebras de astros nus.
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Nasceste agora mesmo. Vem comigo.
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Jorge de Sena, "Eternidade", in Perseguição.
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Su amor era tan grande

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Su amor era tan grande que él conservaba todo lo que ella poseía, y al final también lo que ella podría haber poseído.
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Orhan Pamuk (2009). El museo de la inocencia. Barcelona: Mondadori.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

La mañana seguiente

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La mañana siguiente a la primera noche de amor no es un momento cualquiera. Es un instante especial y decisivo para descubrir si todo queda en un encuentro fugaz o, por el contrario, estamos ante el inicio de una historia de amor perdurable. Por la mañana se desarrolla la comedia, o el drama, del descubrimiento del otro, lo cual puede provocar el deseo de salir corriendo o el enamoramiento. El despertar, el beso que elude los silencios de una conversación que no se consigue entablar, el pudor repentino al salir de la cama, el miedo a no gustar a la luz del día, las confidencias matutinas o la elección del desayuno son sólo algunas de esas situaciones que toda primera mañana trae consigo y que allanan el terreno para conocerse mejor. Desde el momento en que abandonamos la cama, se entra en un periodo incierto pero mágico del ritual amoroso.
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Jean-Claude Kaufmann (2003). La mañana siguiente: como nace una historia de amor. Barcelona: Gedisa.
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Perfume

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Helena Paraty, No caminho para o silêncio (pormenor).
Centro Cultural Malaposta - Exposição Temporária - Setembro 2008.
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As flores
são formas
de que a pintura se serve
para disfarçar
a natureza. Por isso
é que
no perfil
duma flor
está também pintado
o seu perfume.
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Albano Martins, "Pintura", in Castália e Outros Poemas.
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domingo, 11 de outubro de 2009

Não cumprir um dever

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Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros,
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que'eu saberia que não vinha.
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Álvaro de Campos, "A Frescura", in Poemas.
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sábado, 10 de outubro de 2009

Versos de orgulho

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O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,
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Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...
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Florbela Espanca, "Versos de Orgulho" in Charneca em Flor.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Road to heaven

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Polly Green, Road to heaven.
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"The painting is about crossing the boundries between earth and the spirit world and how closely the two worlds are linked". Polly Green.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

El talento inato y la pasión personal

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El mundo cambia a una velocidad vertiginosa. Es imposible adivinar cómo viviremos en el futuro. Lo único que sabemos es que hará falta mucha imaginación y creatividad para transformarnos y enfrentar los nuevos retos. El Elemento es el punto en el que el talento innato se une con la pasión personal. Descubrirlo nos lleva a recuperar capacidades sorprendentes en nuestro interior. Desarrollarlo dará un giro radical a nuestro entorno laboral, a nuestras relaciones y, en definitiva, a nuestras vidas.
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Ken Robinson (2009). El elemento: Descubrir tu pasion lo cambia todo. Barcelona: Grijalbo.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

El momento más feliz de mi vida

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Fue el momento más feliz de mi vida y no lo sabía. De haberlo sabido, ¿habría podido proteger dicha felicidad? ¿Habría sucedido todo de otra manera? Sí, de haber comprendido que aquel era el momento más feliz de mi vida, nunca lo habría dejado escapar. Ese momento dorado en que una profunda paz espiritual envolvió todo mi ser quizá durara solo unos segundos, pero me pareció que la felicidad lo convertía en horas, años.
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Orhan Pamuk (2009). El museo de la inocencia. Barcelona: Mondadori.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Paz

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Peço a paz
e o silêncio
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A paz dos frutos
e a música
de suas sementes
abertas ao vento
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a paz clara
a paz quotidiana
dos actos que nos cobrem
de lama e sol
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Peço a paz e o
silêncio
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Casimiro de Brito, "Peço a Paz", in Jardins de Guerra
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domingo, 4 de outubro de 2009

Libertação

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Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
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Álvaro de Campos, "Tabacaria ", in Poemas.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Céus estrelados

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Miza, Células. Óleo s/ tela, 100 x 81cm.
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quero ir para a morte
como para uma festa
ao crepúsculo
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Renascer

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Mais cedo ou mais tarde teremos de morrer, pelo que mais cedo ou mais tarde também teremos de renascer.
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Dalai Lama (1998). O caminho para a libertação. S/ local: Temas e Debates, p. 77.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Criar imagens... construir memórias

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José Manuel Tudela, RTP - Operador de imagem, anos 60.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Outro lado da vida

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

The end

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Marc Chagall, The Blue Violinist.
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Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
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Leonard Cohen, Dance Me To The End Of Love.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Medo

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Lawrence Paolella, Fear, 2006. Salvaged house paint, 20.5" x 13".

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Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?
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Manuel António Pina, "O Medo", in Nenhum Sítio.
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domingo, 27 de setembro de 2009

Para ser grande

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Leonardo da Vinci, O Homem Vitruviano, 1492.
Lápis e tinta s/ papel, 34 × 24 cm.
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Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
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Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
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Ricardo Reis, "Põe quanto És no Mínimo que Fazes ", in Odes.
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