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terça-feira, 20 de julho de 2010

Força de sonhar

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René Magritte, O terapeuta, 1941. Guache s/papel, 47 x 31cm.
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Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
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Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à fôrça de sonhar...
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Mário de Sá-Carneiro, "Escavação", in Dispersão.
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sábado, 22 de maio de 2010

Da minha janela

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René Magritte, The False Mirror, 1928, 22" x 30".
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... os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna
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Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo
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Mia Couto, "Solidão", in Raiz de Orvalho e Outros Poemas.
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