Mostrar mensagens com a etiqueta Fernanda de Castro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernanda de Castro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só penso

.

Deolinda Fonseca, Sem título, 2005. Acrílico s/ tela, 100 x 100cm.
.
.
Já não vivo, só penso. E o pensamento
é uma teia confusa, complicada,
uma renda subtil feita de nada:
de nuvens, de crepúsculos, de vento.
.
Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,
e eu cada vez mais vaga, mais alheada.
Percorro o céu e a terra aqui sentada,
sem uma voz, um olhar, um movimento.
.
Terei morrido já sem o saber?
Seria bom mas não, não pode ser,
ainda me sinto presa por mil laços,
.
ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços.
.
.
Fernanda de Castro, "Já não vivo. Só penso", in E Eu, Saudosa, Saudosa.
.
.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Solidão

.
Caspar David Friedrich, Monk at the sea, 1810.
Óleo s/ tela , 100x171,5cm.
.
Nem aqui nem ali: em parte alguma.
Não é este ou aquele o meu lugar.
Desço à praia, mergulho as mãos no mar,
mas do mar, nos meus dedos, fica a espuma.
...

Fernanda de Castro, "Três poemas da solidão", in E Eu, Saudosa, Saudosa.