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domingo, 9 de agosto de 2009

Partilha

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A maior parte do tempo [...] o que nós partilhá­vamos era o silêncio. E isso eu aprendi contigo, porque não sabia. Para mim, o silêncio era sinal de distância, de mal-estar, de desentendimento. Ao princípio, quando ficá­vamos calados muito tempo, eu sentia-me inquieta, des­confortável, e começava a falar só para afastar esse anjo mau que estava a passar entre nós.
Um dia tu disseste-me:
- [...] não precisas de falar só porque vamos cala­dos. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio.
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Miguel Sousa Tavares (2009). No teu deserto. Oficina do Livro.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Coisas que amamos

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[...] quem não acredita em Deus [...] acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
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Miguel Sousa Tavares, in Não Te Deixarei Morrer, David Crockett.
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