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domingo, 24 de janeiro de 2010

Vazio

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Vieira da Silva, Quarto cinzento, 1950. Óleo s/ tela, 65 x 92cm.
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Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
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António Ramos Rosa, "A festa do silêncio", in Volante Verde.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Letras

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Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca, 1949.
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Os livros. A sua cálida,
terna, serena pele. Amorosa
companhia. Dispostos sempre
a partilhar o sol
das suas águas. Tão dóceis,
tão calados, tão leais,
tão luminosos na sua
branca e vegetal e cerrada
melancolia. Amados
como nenhuns outros companheiros
da alma. Tão musicais
no fluvial e transbordante
ardor de cada dia.
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Eugénio de Andrade, "Num exemplar das Geórgicas." in Ofício da Paciência .