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terça-feira, 20 de julho de 2010

Força de sonhar

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René Magritte, O terapeuta, 1941. Guache s/papel, 47 x 31cm.
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Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.
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Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à fôrça de sonhar...
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Mário de Sá-Carneiro, "Escavação", in Dispersão.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que droga...

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Que droga foi a que me inoculei?
Ópio d'inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?
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Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi alcool mais raro e penetrante:
É só de mim que eu ando delirante -
Manhã tão forte que me anoiteceu.
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Mário de Sá-Carneiro, "Álcool", in Dispersão.
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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quási

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Mark Rothko, Light earth and blue.
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Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
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De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
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Mário de Sá-Carneiro, "Quasí", in Dispersão.
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