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terça-feira, 22 de junho de 2010

Maior que esta flor

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Todas as teorias, todos os poemas
Duram mais que esta flor.
Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e húmido,
E maior que esta flor...
O tamanho, a duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...
O que importa é a flor a durar e ter tamanho...
(Se verdadeira dimensão é a realidade)
Ser real é a única coisa verdadeira do mundo.
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Alberto Caeiro, "Ser real é a única coisa verdadeira do mundo", in Poemas Inconjuntos.
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

A vida oculta das árvores

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Ibrahim Peynirci, Trees. Photography.
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Um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
Mas o que é um renque de árvores? Há árvores apenas.
Renque e o plural árvores não são cousas, são nomes.
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de cousa a cousa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente
reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do
que isso!
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Alberto Caeiro, "Um renque de árvores lá longe", in O Guardador de Rebanhos
- Poema XLV.
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sábado, 26 de setembro de 2009

Aceita o universo

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Andreas Cellarius, "Map of the Constellations of the Northern Hemisphere",
from The Celestial Atlas, or The Harmony of the Universe
(the most detailed and beautiful celestial atlas of the 17th century).
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Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.
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Se há outras matérias e outros mundos
Haja.
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Alberto Caeiro, "Aceita o Universo", in Poemas Inconjuntos.
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sábado, 22 de agosto de 2009

Quando me separo...

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Van Gogh, Starry night, 1889. Oil on canvas.
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À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
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Alberto Caeiro, "Estou Lúcido como se Nunca Tivesse Pensado", in Poemas Inconjuntos.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Olha bem!

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Autor desconhecido. Flora. Timor Leste.
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A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
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Alberto Caeiro, "Nem sempre sou igual no que digo e escrevo", in O Guardador de Rebanhos - Poema XXIX.
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quarta-feira, 4 de março de 2009

Lu@

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O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
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Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.
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Alberto Caeiro, "O luar através dos altos ramos",
in O Guardador de Rebanhos - Poema XXXV.