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domingo, 25 de abril de 2010

Abril... ainda por fazer

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Eu vi Abril por fora e Abril por dentro
vi o Abril que foi e Abril de agora
eu vi Abril em festa e Abril lamento
Abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar Abril e Abril partir
vi o Abril de sim e Abril de não
Abril que já não é Abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Vi o Abril que ganha e Abril que perde
Abril que foi Abril e o que não foi
eu vi Abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (Abril tão verde)
Abril de Abril despido (Abril que dói)
Abril já feito. E ainda por fazer.
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Manuel Alegre, Abril de sim, Abril de Não.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Em cada dia regressas

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Carlos Botelho, Lisboa e o Tejo, Domingo, 1935.
Óleo s/ tela, 71 x 100cm.
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Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo
...
Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais
...
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Manuel Alegre, "Balada de Lisboa", in Babilónia.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Livro

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Picasso, Mulher com livro.

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Um livro. Sempre.
Um livro que se escreve e não se escreve
ou se rescreve junto
ao mesmo mar.
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Metáfora de cornos e pés-de-cabra.
Um livro. Esse buscar
coisa nenhuma.
Ou só o espaço
o grande interminável espaço em branco
por onde corre o sangue a escrita a vida.
Um livro.


Manuel Alegre, Um livro.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Lisboa

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Maluda, Telhados de Lisboa.
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Lisboa é esta janela de onde vejo
tudo o que se não vê que é o que há mais
em Lisboa onde se vê mesmo sem ver o Tejo
e onde cada varanda é sempre um cais.
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Lisboa é esta praça e esta viagem
esta partida mesmo se parada
...
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Manuel Alegre, Praça João do Rio ou o segundo poema do português errante.