Os pássaros de Londres cantam todo o inverno como se o frio fosse o maior aconchego [...] os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio e a lua se derrama por praças tão sem cor que parecem de pano em jardins germinando sob mantos de gelo como se gelo fora o linho mais bordado [...] os pássaros de Londres cumprem o seu dever de cidadãos britânicos que nunca nunca viram os céus mediterrânicos
Mário Cesariny, Poemas de Londres. Assírio & Alvim, 1999.