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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ninguém vê

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Adrien Donot, digital art.
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Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
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Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
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Florbela Espanca, "Eu", in Livro de Mágoas.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Eu

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Kazuhiko Nakamura, Spiral. Digital Art.
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Até agora eu não me conhecia,
julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
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Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
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Florbela Espanca, "Eu", in Charneca em Flor.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Insónia

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Kazuya Akimoto, The Insomnia Penguin, 2009. Acrylics, 21" x 28".
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E, porque o sol é cor dos olhos d'Ele,
Eu fico olhando o sol, a soluçar...
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Florbela Espanca, "O Que Alguém Disse", in Livro de Sóror Saudade.
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ri do teu mal

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Kazuya Akimoto, Vertical Social Dance Pairs, 2009. Acrylics, 73 x 50cm.
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"Refugia-te na Arte" diz-me Alguém
"Eleva-te num vôo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal
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Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!"
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Florbela Espanca, "O Que Alguém Disse", in Livro de Sóror Saudade.
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sábado, 10 de outubro de 2009

Versos de orgulho

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O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?!
O jardim dos meus versos todo em flor,
A seara dos teus beijos, pão bendito,
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Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
São os teus braços dentro dos meus braços:
Via Láctea fechando o Infinito!...
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Florbela Espanca, "Versos de Orgulho" in Charneca em Flor.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Eleva-te!

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Joana Somel, Azulejos, Portugal.
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"Refugia-te na Arte" diz-me Alguém
"Eleva-te num vôo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.
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Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é Divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!"
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Florbela Espanca, "O Que Alguém Disse", in Livro de Sóror Saudade.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

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Ivam de Almeida Garrett, Em busca da fé, 1987.
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Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.
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Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:
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Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!
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Florbela Espanca, "Aos Olhos Dele", in A Mensageira das Violetas.
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