Mostrar mensagens com a etiqueta Deolinda Fonseca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Deolinda Fonseca. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de junho de 2010

Nada me aloira

.
Deolinda Fonseca, Sem título, 2005. Acrílico s/ tela, 100 x 100cm.
.
.
...
Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de mêdo!
.
Sou estrêla ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar...
.
.
Mário de Sá-Carneiro, "Estátua falsa", in Dispersão.
.
.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Só penso

.

Deolinda Fonseca, Sem título, 2005. Acrílico s/ tela, 100 x 100cm.
.
.
Já não vivo, só penso. E o pensamento
é uma teia confusa, complicada,
uma renda subtil feita de nada:
de nuvens, de crepúsculos, de vento.
.
Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,
e eu cada vez mais vaga, mais alheada.
Percorro o céu e a terra aqui sentada,
sem uma voz, um olhar, um movimento.
.
Terei morrido já sem o saber?
Seria bom mas não, não pode ser,
ainda me sinto presa por mil laços,
.
ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços.
.
.
Fernanda de Castro, "Já não vivo. Só penso", in E Eu, Saudosa, Saudosa.
.
.