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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cativeiro

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Emília Nadal, Sem título, 1975. Serigrafia, 56 x 48cm.
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E os captivos suspiram. Bandos de aves
Passam velozes, passam apressados,
Como absortos em intimos cuidados,
Como absortos em pensamentos graves.
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E dizem os captivos: Na amplidão
Jamais se extingue a eterna claridade...
A ave tem o vôo e a liberdade...
O homem tem os muros da prisão!
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Aonde ides? qual é vossa jornada?
Á luz? á aurora? á immensidade? aonde?
— Porém o bando passa e mal responde:
Á noite, á escuridão, ao abysmo, ao nada! —
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E os captivos suspiram. Surge o vento,
Surge e perpassa esquivo e inquieto,
Como quem traz algum pezar secreto,
Como quem soffre e cala algum tormento.
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Antero de Quental, "Os Captivos", in Sonetos.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Heaven

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Rose-Marie Klintman, Tryin' To Get To Heaven, 2000.
Acrylic, 46 x 31cm.
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Chovam lírios e rosas no teu colo!
Chovam hinos de glória na tua alma!
Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
Cantos e aroma o ar e sombra.
E quando surge a lua e o mar se acalma,
Nem sequer te lembres de que eu choro...
Esquece até, esquece, que te adoro...
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Adaptação do poema de Antero de Quental, "Abnegação", in Sonetos.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Espírito que passas

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Espírito que passas, quando o vento

Adormece no mar e surge a Lua,

Filho esquivo da noite que flutua,

Tu só entendes bem o meu tormento...

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A ti confio o sonho em que me leva

Um instinto de luz, rompendo a treva,

Buscando, entre visões, o eterno Bem.

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Antero de Quental, "Nocturno", in Sonetos.

http://www.youtube.com/watch?v=I4zkk7NOCtg

Maria João Pires - Nocturne No.1 - Chopin.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tormento

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Karen Hasen, Solar wind. Acrylic on paper, 7" x 5".
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Vozes do mar, das árvores, do vento!
Quando às vezes, n'um sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento...
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Antero de Quental, "Redenção", in Sonetos.
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